quinta-feira, dezembro 13, 2007

Geração dos 500

Foram vários os sítios onde trabalhei. Infelizmente nenhum deles teve um percurso normal.

A minha primeira experiência foi fantástica. Trabalhei imenso e foi sem dúvida a minha escola. O pior era quando chegava a hora dos pagamentos. Posso dizer que passado ano e meio ainda me devem 250€. A minha preguiça ou falta de vontade para ouvir as queixas do lado de lá que são sempre as mesmas desmotivam os meus telefonemas desde Outubro. De qualquer forma diverti-me imenso e trabalhei bastante e tinha uma coordenadora muito fixe e gira, sim gira (é que ela vem cá ler isto!). Já agora, Obrigada Cats! Fiz amigos. Porque havia gente interessante que valeu a pena passar dos emails aos cafés e aos jantares. A empresa devia mundos e fundos e entretanto fechou passado uns meses de eu achar que tinha mais que fizesse que andar a engonhar e a ser engonhada e aproveitei o verão para um estágio, mas desta vez de praia. Saía barato e ficava mais gira.

Depois acabou o estágio de praia e fui para a Câmara Luso Francesa fazer umas merdices, como se eu alguma vez soubesse falar essa língua estúpida. Ganhava que era uma estupidez e estava pelos cabelos com o presidente ou director ou raiospartam como era o cargo. Ainda deixei lá a garrafa de champagne francês que um cliente fofo me deu, e isso sim foi uma maçada que já me tinha dado jeito.

Depois achei que ia assentar. Ia fazer um estágio profissional que nunca saiu. Como sou uma pessoa de fácil trato achei que não havia de tomar partido de nenhuma das partes (a empresa foi-me apresentada como muito familiar e todos se davam bem) yeah right! nunca vi tanto corte na casaca. O estágio não saiu e assinei contrato que me valeu uns trocos muito bons gastos em roupas e coisas importantissimas para uma miss. Foi a altura em que eu e a Pink Lady achavamos que estavamos ricas (b.u.r.r.a.s)

Andei a fazer um circuito nacional interessantissimo. Quando estava pelo escritório de manhã trabalhava e à tarde praia. Gostei à brava até chegar o fim do verão. O peso do corpo na cama impedia-me de conseguir levantar-me e ter alguma paciência de ir para um sítio que se trabalhava muito uns dias e nada nos outros.

Depois disso estou aqui. Tem dias. É bom, é giro, sonho com as minhas viagens das comissões que nunca mais saem, mas que positivamente espero que sim (há sempre um problema qualquer) com o carro daqui a 2 anos segundo a poupança. Tenho autonomia para tudo (dentro dos limites) às vezes falta-me é paciência para esperar (mas todos nós temos dias, não é?!). Fui feita para fazer o que faço, mas para ganhar 5 vezes mais. E precisava de alguém ao meu lado para o meu trabalho não depender tantas vezes só de mim, é que às vezes atraso-me e canso-me e isso dá cabo de mim. Os projectos são imensos, mas depois perdemo-nos pelas coisas diárias e pelo horizonte da não concretização porque o não é sempre garantido e tem dias em que nos falta a força, falta-nos a alma e o espírito, corpo não nos basta. Mas gosto e dou-me bem e rimo-nos muito com algumas coisas que por cá aparecem.

O país não avança porque a geração não produz e a geração não produz porque vivemos no meio de imbecis que vivem à custa dos nossos sonhos. O sonho de um dia ter uma vida que é só nossa.

E não nos importamos que nos empurrem e que nos puxem e que nos levem porque um dia pode ser que... Mas esse dia raramente chega, ou demora muito. E demora tanto que os nossos sonhos caem por terra e às tantas achamos que mais vale 500 que nada.
vale a pena ler

15 comentários:

wednesday disse...

Miss, muito bem... Clap Clap Clap

Conseguiste comover-me. Nós desfazemo-nos em trabalho e, falo por mim, parece sempre que somos negativos ao que fazemos porque a fasquia é alta. Tudo bem, acho que devemos fazer as coisas bem. O problema neste país é que recompensas para issso não há.

Beijo

Ele disse...

No (fucking) further comments!

Pedro disse...

Valeu a pena lêr!
Contentamo-nos com tão pouco que nos tornamos nada exigentes e qualquer coisa serve, porque têm de ser, para sobreviver, ou viver aos poucos!

Joana disse...

É verdade, é real, é às vezes eu desejava que assim não fosse. Como eu gostava...
Mas ainda não desisti dos meus sonhos!

framboesa disse...

tens desafio no meu blog!

Maria do Consultório disse...

Recibo verde, rules!!!

Pink Lady disse...

Não podia concordar mais! É a mais pura verdade e tenho sido tua companheira neste faz-de-conta em que se tornou a vida profissional dos jovens. E é bem verdade que no desespero tudo serve "porque tem de ser". Honestamente, acho que o desespero por trabalhar serve bem aos nossos empresários. Talvez um dia possamos ser todos mais exigentes. Talvez nesse dia se acabe com o recibo verde ao desbarato e se encarem as pessoas com a seriedade e respeito que merecem!

Bad Trip disse...

Foi giro, sim (e sou gira, pois!Pelo menos, tem dias). De facto temos pena da parte menos boa, mas ainda assim continuo a acreditar que não foi em vão. E que energúmenos e outros imbecis que tais, existem em toda a parte. E que vais longe, porque tens "pinta" disso. Vai um cafézinho em Abrantes??

Cats

Principessa disse...

bolas a notícia é a minha vida! vivam os recibos verdes, que de verdes nem a côr têm. Vivam as notas grandes, que dizem que são verdes, mas que não entram na minha carteira... Enfim. Melhores dias (ou ordenados) virão :P

SAM disse...

dá vontade de citar os meus adorados Pink Floyd " Welcome to the Machine "...lol

Gostei!
Andei ausente mas tou de volta e agradeço-te as tuas visitas!

Já fazes parte da minha galeria de anormais ó miss

António Raminhos disse...

25 de Abril Sempre! Ou não...

AR
www.antonioraminhos.blogspot.com

Caso não saibas... o Tó do Samouco mudou de poiso... vá dê lá um salto e diga se gosta!

Juani disse...

Adorei o post Miss, infelizmente tenho que concordar com muitas das coisas que dizes.
Quando fui ver o texto que está no link lembrei-me de ler um muito parecido num jornal em Espanha que falava dos jovens "mileuristas", isto é, lá o problema é idêntico mas a fasquia são os 1000, ou seja... o dobro...
Quem "oferece" emprego oferece-o com as condições que quer porque sabe que as coisas não estão fáceis e que há falta de emprego, deste modo é muito fácil obter bons colaboradores, jovens, com ideias novas e interessantes por uns míseros euros. O problema é que eu não encontro o fio à meada e não devo estar cá quando estas "tendências" acabarem.
Apesar de não me englobar nesses jovens dos recibos verdes ou dos 500€ acho que recebo menos do que mereço porque faço um pouco de tudo aqui, resolvo problemas e dou muito de mim a este trabalho que (é verdade) adoro mas espero que seja compensado um dia, porque também tenho sonhos e mereço-os!

Mary disse...

nao poderei tecer quaisquer comentarios. penso que o teu post diz tudo. é uma vergonha... como poderão falar de futuro se a esta geração (rasca como dizem.. irónico..) não restou nada?*

bilhas disse...

Muito bem senhora dona Miss! E depois querem que a rapaziada deixe de chatear os pais até aos trinta, carago!

Anónimo disse...

Por isso é que eu gosto de te ler! Apoio, subscrevo e ainda acrescento: está bom é para dar de frosques deste país das bananas!

Ceia